Palestra sobre Literacia Mediática para o Comando Territorial do Porto da GNR
O auditório do Hospital Santo António foi local escolhido pelo Comando Territorial do Porto da GNR para organizar, no dia 26 de novembro, a palestra conduzida pelo coordenador da Escola Lusa, João Pedro Fonseca, com o apoio do jornalista da redação do Porto Jorge Fonseca.
Durante quase três horas, chefes de estado maior do Comando Territorial do Porto, que estiveram acompanhados por 51 sargentos das áreas funcionais de Comando de Posto Territorial, investigação criminal, trânsito, administração, receberam dados, dicas e conselhos sobre como lidar e olhar para a informação, dessa forma combatendo, e ajudando a combater, a espiral crescente da desinformação e ‘fake news’.
Todavia, o encontro dos jornalistas com os militares da GNR do distrito do Porto foi também rico em participações, tendo havido inúmeras perguntas da plateia.
Que papel podem ter os militares da GNR para reforçar a informação credível combatendo a desinformação?
Desde logo estabelecendo pontes com os profissionais do jornalismo, que cumprem regras deontológicas e estão obrigados a trabalhar com rigor e objetividade.
O debate foi muito rico e interessante, ficando a ideia que, dado o interesse manifestado, se poderia ter prolongado a sessão por mais algumas horas...
As questões colocadas foram respondidas com recurso à experiência profissional dos dois jornalistas e com recurso a exemplos preparados e apresentados através de um ‘powerpoint’.
Durante a longa conversa foi possível perceber algum desconforto dos militares em relação à recente notícia de detenção de colegas em Beja, tendo os jornalistas sido questionados porque razão se mencionou tratarem de militares da GNR e um agente da PSP, quando se podia ter escrito apenas “agentes das forças de segurança”.
Concordando parcialmente com a observação, na lógica de que isso pode conduzir a que a opinião pública passe a olhar todos os militares da GNR como criminosos, foi referido aos presentes que a notícia da Lusa sobre o tema refere tratar-se de militares do Posto Territorial de Beja e que só por manifesta maldade da opinião pública se avançará com uma generalização.
Aos presentes foi também explicado que a comunicação social possui organismos de autorregulação e que embora as consequências, leia-se sanções disciplinares ou demissões, possam não ser publicitadas pelos órgãos de comunicação social, elas, normalmente acontecem, penalizando o infrator quando é dada razão à pessoa ou entidade ofendidas pela prática incorreta do jornalista. Poucas profissões terão um escrutínio tão vincado como a de jornalista. O que não significa que não se cometam erros. Acontecem todos os dias, infelizmente.
A propósito da profissão, foi também abordada a questão dos jornalistas que preenchem horas e horas de espaços de opinião nas televisões.
Foi explicado que não. Jornalistas a dizerem «eu acho isto», «eu acho aquilo», não é jornalismo. O "achismo" é uma nova moda do panorama audiovisual que tem de preencher emissões de 24 horas, sete dias por semana. Jornalismo, foi explicado, tem a ver com factos e fontes rigorosas. Jornalismo trata acontecimentos e só pode ser noticiado algo que aconteceu quando há fontes fidedignas que o comprovam. Tudo o resto pode ser entretenimento, debate, discussão, opiniões, mas não é Jornalismo. Mesmo quando é protagonizado por jornalistas.
Jorge Fonseca, jornalista da Redação da Lusa no Porto

Para quem queira explorar este mundo da desinformação e do 'fact checking', ficam algumas pistas.
Espreitem estes sites:
NOTA: OSINT significa Open Source Inteligence, ou seja: Ferramentas de análise de dados gratuitas.
https://www.rand.org/research/projects/truth-decay/fighting-disinformation/search.html
Este site tem uma gigante coleção
de ferramentas livres, por temas, mapas, redes sociais, etc etc:
https://github.com/cipher387/osint_stuff_tool_collection
E vejam aqui uma das maiores plataformas europeias de 'fact checking':
https://edmo.eu/fact-checking-activities/

Uma sugestão: experimentem alguns jogos que ensinam a lidar com a desinformação.
no botão JOGOS
